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Quinta-feira, 31 de Agosto de 2006

IEFP: um papel servil

Depois de "sabermos" que o salário mínimo nacional pago aos trabalhadores em Portugal é o mais baixo da Europa a 17, ficámos hoje a "saber" que os trabalhadores pior pagos são os da zona Norte: o salário médio líquido pago aos trabalhadores nortenhos será 636€, segundo o JN que refere inquérito ao emprego do INE, mas cujos dados não estão disponíveis ao público em geral (em contravenção dos estatutos do próprio INE, estatutos pelos quais este se obriga a disponibilizar toda a informação ao mesmo tempo para toda a gente). Mas, se formos ver os salários oferecidos pelas empresas que precisam de novos trabalhadores constantes da "netemprego" do IEFP, se estes forem representativos das ofertas existentes, veremos que depressa se chegará a salários médios muito mais baixos. É raro encontrar salário superior ao salário mínimo nacional, mesmo quando a exigência de qualificação ultrapassa em muito a simples indiferenciação e existe contrato colectivo que especifica salário superior para tal qualificação. Tal facto, longe de provar qualquer outra coisa, prova apenas o papel do IEFP, e por consequência do governo, como serventuário dos mais servis do capitalismo, pressionando para baixo os salários já de si miseráveis.
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Segunda-feira, 28 de Agosto de 2006

Pobreza em democracia...

Os argumentos apresentados, na exigência de novas eleições para o município de Setúbal, pelos partidos da oposição oficial local, incluindo o BE, são lamentáveis em democracia. Estariam bem em regimes cesaristas. Fazem crer que os programas eleitorais nada valem, o que vale é o César. Talvez seja por isso que, neste país, é possível um governo ser eleito com um programa, depois de receber os votos fazer o oposto a esse programa e não ser demitido. Para esses partidos tudo estaria bem caso o presidente da câmara não resignasse embora não cumprisse o programa com o qual foi eleito. Possivelmente existem todas as razões para convocar novas eleições em Setúbal, mas não as que foram apresentadas, a não ser que o programa eleitoral do partido que ganhou se tenha resumido a apresentar o cabeça de lista como salvador. O que sobra, desta triste história, é a pobreza em democracia deste regime e dos seus principais agentes
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Domingo, 27 de Agosto de 2006

Lutemos contra a guerra

A imprensa mundial divulgou notícia do jornal israelita "Ha'aretz" segundo a qual o chefe do tzahal, general Dan Halutz, nomeou, antes da guerra contra o Líbano, o comandante da Força Aérea israelita, Eliezer Shkedy, para preparar planos de batalha e de ataque ao Irão em acumulação com a coordenação dos serviços secretos incluindo a Mossad. Olhando à proveniência da notícia, jornal oficiosos do governo sionista, aparenta ser argumento, para uso interno na salvação do governo, destinado a provocar a sensação de vitória no Líbano consubstanciada no reforço das forças e nas atribuições da FINUL Na primeira guerra do Iraque, Israel foi atingido por mísseis iraquianos. Agora a "intervenção preventiva" no Líbano não passaria de um preparar de terreno para o ataque ao Irão, neutralizando os "aliados do inimigo" junto à fronteira, impedindo-os de retaliar com ataques a território sob governo sionista. Bom bom, para a estratégia norte-americana/britânica/israelita, teria sido o Irão e/ou a Síria terem intervido em defesa do Líbano, pois permitiria uma justificação para a agressão a esses países. Menos má é a decisão do conselho de segurança da ONU em ocupar o Sul do Líbano, pois não só neutralizará os "aliados do inimigo", como também envolverá forças "neutras" nessa guerra ao seu lado. Mas o mais revelador da notícia é a eminência do ataque ao Irão, peça chave, do ponto de vista militar, para a guerra com a China, a ameaça futura à hegemonia norte-americana. A UE parece já ter tomado partido por quem lhe parece mais forte. Conta, com isso, repartir os despojos. Mas os seus povos pagarão com a morte e a miséria. A barbárie não parará se não for travada. E quem a pode travar é a luta dos povos. A recusa na participação na ocupação do Sul do Líbano é o começo dessa luta. Nela nos envolveremos.
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Sexta-feira, 25 de Agosto de 2006

Sem vergonha

Com o rebuço e a sem vergonhice que lhe são peculiares, o governo de Sócrates/Cavaco  pôs em vigor uma nova tabela que aumenta significativamente os custos da saúde para os funcionários públicos. A conversa é a mesma da usada pelo governo de Durão Barroso com o mesmo propósito e de que é escusado falar. Os métodos é que são mais desavergonhados. Pela calada publica-se num sítio da internet, que ninguém visita, a nova tabela. Quando os funcionários confrontados com aumentos superiores a 1000% questionam os serviços, é-lhes dito: a tabela está publicada, vão lá vê-la. Se são sindicatos a interrogar, é-lhes comunicado que foram avisados no início do ano sobre a possibilidade da alteração da tabela e, por isso, não se podem queixar. Isto por si fala, nem é preciso acrescentar que tudo se passa após sete anos de descidas acentuadas dos salários reais dos funcionários e apesar de a parcela dos custos de saúde "paga" pelo estado ser ela própria, em grande parte, proveniente dos descontos para a ADSE feitos pelos próprios trabalhadores. Terá, concerteza, resposta.
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Quinta-feira, 24 de Agosto de 2006

Transparência opaca

O caso preencheu umas poucas linhas na imprensa. Apenas causou umas quantas declarações de representantes de segunda categoria dos partidos do "arco do poder" prontamente reproduzidas. Análise, para além do simples comentário, foi quase nenhuma. Dados os actores também não era de esperar outra coisa. Quanto mais depressa entrar no esquecimento, melhor, pensarão os ditos senhores.

Trata-se do despacho que, nas palavras de um secretário de estado, apenas clarifica a dúvida existente sobre a interpretação de uma lei que dispensará a publicação em Diário da República do nome de grande parte dos contratados pelo estado. Também, nas palavras desse secretário de estado, o governo não concorda com essa lei pelo que será alterada até ao fim do ano. Estranha forma de não concordar, aplicá-la existindo dúvidas e tendo uma maioria absoluta na Assembleia da República onde poderia ter alterado tal lei sem o menor esforço já há muito tempo e com o apoio certo de todos os outros partidos parlamentares, como se pode deduzir das palavras dos representantes desses outros partidos. No meio desses partidos é notável a posição do PSD e do CDS, partidos que na anterior legislatura aprovaram a dita lei: hoje estão veementemente contra a sua aplicação. Temos, portanto, unanimidade da Assembleia da República e do governo contra a lei mas, mesmo assim, aplica-se. Rica e esclarecedora definição de democracia. Do que ressai deste pequeno caso é o pequeno promenor de que os partidos burgueses, sendo a favor da redefinição do papel do estado na sociedade, são principalmente pelo seu controlo, mesmo sem serem eleitos, através dos homens-de-mão que lá vão colocando e quanto mais à socapa e sem controlo melhor. Um outro aspecto complementar é o de olharem o aparelho de estado como fonte de rendimentos para capangas (colocar uns "amigos" está dentro dos "poderes" auto-atribuídos pela generalidade dos cabecilhas, mesmo os locais, dos partidos burgueses). Daí a conveniência para todos os partidos parlamentares, embora que menor pois o fundamental nem sequer precisa dessa lei para ser feito, de fazer perdurar a lei por mais uns mesitos. Depois, teremos a "transparência". Será que alguém acredita?

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Quarta-feira, 23 de Agosto de 2006

Vontade política e fogos

Quando se fala da floresta portuguesa e no seu estado, inevitavelmente se tem de falar de fogos, na sua prevenção e no combate a esse desastre. Agora passou-se também a falar de vontade política. Na compreensão de muitos agentes, incluindo o próprio ministro da administração interna, o problema estaria na falta de vontade política, existente até hoje, para resolvê-lo. Mas quem observa o movimento verificado, encontra uma vontade política fortemente expressa em actos, umas vezes, e na ausência de actos, outras vezes, mas sempre com o mesmo querer: expropriar os pobres do campo, fazer a reforma agrária burguesa em aplicação específica à floresta. É isto que se tem de discutir, quais as consequências na estrutura fundiária e nas relações de poder entre as classes que advêm das políticas prosseguidas sustentadas em acções e também, muitas vezes, em inacções. Toda este processo rememora a acumulação dita primitiva: um roubo puro e simples à pala de uma pretensiosa protecção da floresta.

Vontade política por parte dos partidos do capital existe e sempre existiu e, nessa vontade, este governo é exactamente igual aos que o precederam: quer concluir a reforma agrária burguesa cujo único ponto em falta se refere à floresta. Por isso encontrará revolta.

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Terça-feira, 22 de Agosto de 2006

Tanto carneirismo enoja

Vieram ontem a público os ministros da defesa e dos negócios estrangeiros expôr as quatro condições da participação de tropas portuguesas na ocupação do Sul do Líbano. Quem estivesse desatento poderia considerar que o governo, num arrobo de contrição, estaria a recuar nas intenções antes manifestadas em relação ao assunto. Mas a comparação da primeira condição apresentada pelo governo com a nova exigência de  Washington relativa à aprovação de uma segunda resolução do conselho de segurança da ONU onde seja "clarificado" o papel das forças militares internacionais no Líbano, evidencia pela sua coincidência exacta não uma alteração na posição servil que tem vindo a assumir, mas um reforço do carneirismo, dos mais abjectos que alguma vez se viu, em relação ao "pastor" norte-americano. A segunda condição, ao propor posição de coesão por parte da Europa (a exemplo da táctica dos pró-invasão do Iraque), reivindica para o governo português a vergonhosa posição de peão de brega norte-americano na União Europeia. A terceira, aparentando  ponderação, não passa de palavreado para entreter parlamentares e eventual porta de escape para alguma guinada táctica norte-americana, pois não seria condição prévia haver disponibilidade de tropas apesar do empenhamento em "outras missões"? A quarta não passa da concretização da primeira relativamente às tropas nacionais, nenhum acrescento de conteúdo, portanto.

Para quem ainda tivesse dúvidas, com a colocação destas condições no momento em que são postas, ficou clara a política externa do governo vende-pátrias Sócrates/Cavaco.
Tolo parece ser o partido revisionista que, pelas palavras do seu secretário-geral à saída da mui democrática consulta aos partidos sobre o assunto, consegue vislumbrar algo de positivo e de novo nesta exposição de condições.

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Terça-feira, 15 de Agosto de 2006

As provocações já começaram

Ainda não passaram 24 horas após o início do cessar-fogo acordado e este, já por quatro vezes, foi violado pelo tzahal que disparou assassinando a sangue-frio quatro libaneses. Aparentemente terão sido os amedrontados soldados sionistas, dada a sua má consciência, que mal viram  alguém a caminhar isolado, pensaram que esse alguém os iria atacar e dispararam antes que tais ataques se viessem a concretizar. Depois veio o teatro do chamamento das forças da ONU e a justificação oficial de que esse alguém teria disparado primeiro, mas tal como nos filmes, onde os "maus" falham sempre e os "bons" acertam sempre, no lado sionista não houve qualquer baixa e no lado dos "maus" a desgraça foi total. Todavia o mais provável, dados os antecedentes recentes de reforço inaudito das operações militares por parte de Israel nas horas que precederam o cessar-fogo e o fracasso militar evidente da campanha sionista face aos objectivos longamente planeados e preparados, é que se trate, não de actos isolados perpetrados por soldadesca assustadiça, mas do início de uma campanha bem montada de provocações, como tem sido apanágio desse exército de cobardes assassinos, mas agora tendo em vista o envolvimento de outros países no conflito, dada a incapacidade demonstrada pelo tzahal. 
Os antecedentes de provocação são esclarecedores: aviões de guerra sionistas violaram mais de mil vezes o espaço aéreo libanês desde a retirada de 2000 até ao início desta guerra, acto que à luz da legitimidade internacional só pode ser considerado de guerra e que mereceria resposta militar imediata mas que foi passando em claro; agentes da Mossad assassinaram libaneses em Beirute poucos meses antes da guerra, facto de que Telavive se gabou publicamente, possivelmente para provocar uma resposta; frequentemente, antes de "tudo" começar, o tzahal bombardeava território libanês, acto que em si mereceria também resposta idêntica; mantem presos de guerra libaneses em Israel, capturados na anterior invasão e em contravenção das convenções de Genebra das quais Israel é um dos subscritores, o que só pode ser considerado provocação não só ao Líbano mas também a todos os outros subscritores dessas convenções; mantem ocupados territórios libaneses, sírios e palestinianos em contravenção de todos os acordos internacionais relativos a fronteiras; instalou populações de nacionalidade israelita nesses territórios violando  todas as leis internacionais  relativas  a territórios ocupados; rapta e/ou executa extra-judicialmente não só eventuais "culpados" como também as suas famílias, acto que só pode ser considerado, para além de provocação, de crime hediondo; exerce sistematicamente represálias sobre populações civis, crime de guerra comparável aos crimes nazis condenados mundialmente; como prova de civilização dá uma "segunda oportunidade" a criminosos quando são judeus, permitindo que estes se refugiem em Israel atribuindo-lhes, de forma sistemática, a nacionalidade israelita e fazendo-os, dessa forma, escapar às leis dos países de que são naturais, chegando ao cúmulo de glorificar, em livros e séries televisivas, os crimes cometidos por esses escroques como prova da superioridade israelita  em relação aos povos "gentios". A estas, muitas outras podiam ser juntadas. O rol de provocações não pára, umas estratégicas visando um estatuto especial no meio das nações, outras tácticas procurando com persistència reacções violentas dos visados para depois os acusar de iniciar conflitos. Nada disto seria admissível a qualquer outro estado. É-o a Israel, não por ser o "povo eleito" de Jeová (como de certa maneira, para propaganda interna, é dito pelos ideólogos sionistas), mas porque foi eleito instrumento priveligiado, diga-se de passagem muitíssimo bem pago, da política imperialista norte-americana para o médio Oriente, zona estratégica e fulcral do domínio  sobre o resto do mundo. Só assim se pode perceber a atitude e as iniciativas norte-americanas em todo este processo. Só assim se pode perceber a atitude, da União Europeia, de pagar para mais tarde tentar colher algumas migalhas. Só assim se pode perceber a atitude de perfeito servilismo e indignidade do governo português.
Portanto só podemos esperar a continuação das provocações sionistas até causarem as reacções que permitam "justificar", com a ajuda preciosa dos órgãos de mediatização de propaganda, chamados habitualmente de informação, o início de nova guerra, agora, possivelmente, envolvendo outros países.
Daí a necessidade de, a cada provocação israelita, exigir a penalização desse estado. Daí a necessidade de cada povo recusar o envio das suas tropas para o Líbano ao serviço da estratégia norte-americana de domínio do mundo. Não seremos carne para canhão!
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Quarta-feira, 9 de Agosto de 2006

"Material bélico não ofensivo"

A forte oposição dos povos britânicos à utilização de aeroportos escoceses para escala de aviões da logística de guerra israelita, que transportavam mísseis e bombas dos EUA para abastecimento do tzahal, obrigou o embaixador americano a comprometer-se que tal não voltaria a acontecer. Deve ter sido por isso que foi escolhida a base das Lages para escala de avião (ou aviões, não se sabe bem se é um ou se são dois) cargueiro israelita com "material bélico não ofensivo" segundo as palavras do embaixador israelita. Trata-se, como se pode deduzir das palavras do dito senhor juntamente com a profusamente divulgada propaganda sionista, de material bélico que não vai ser utilizado em manobras ofensivas dada a "evidência" de Israel estar apenas a usar material bélico "no seu direito à defesa". Nesta leitura até uma bomba nuclear pode ser classificada como "material bélico não ofensivo", a destruição de uma aldeia palestiniana  ou libanesa não passa  de uma simples terraplanagem defensiva, se estiverem lá pessoas estão-no ofensivamente a impedir a "legítima defesa israelita" e, portanto, podem ser soterradas que não faz mal e aí por diante. Claro que o ministro dos negócios estrangeiros do governo de  Sócrates/Cavaco, mediante tão inocente e pacífica escolha, não teve outro remédio senão concordar e provavelmente até ajudar à configuração da brilhante definição. Ele  bem queria estar de cócoras sem parecer, mas... mais uma vez... lá teve que ser.
A agravar a responsabilidade e a cumplicidade criminosa da decisão do governo português de permitir a escala nas Lages, tudo isto se passa num momento em que o conselho de segurança da ONU se prepara para acobertar a política expansionista de Israel que quer arrasar (com o tal "material bélico não ofensivo") todas as aldeias e cidades libanesas ao Sul do rio Litani, criando mais um milhão de refugiados permanentes a juntar aos quatro milhões que já tinha criado com as anteriores expulsões de habitantes de outros territórios. Depois, parece ser claro que quer vir a colonizar essa zona do Líbano com os seus homens de mão libaneses, verdadeiros escroques e assassinos sanguinários, que se encontram fugidos da justiça libanesa, devido aos massacres de Sabra e Chatila, no Norte de Israel. O facto de teoricamente se poder vir a manter a soberania libanesa sobre esse território, ou mesmo poder vir a alargar-se a territórios libaneses actualmente ocupados por Israel como as quintas de Cheba, em nada altera o que atrás ficou dito, caso o actual milhão de refugiados não possa regressar às suas terras, pois o que os EUA e os sionistas pretendem que aconteça é a soberania real, a formal pouco lhes interessa, de Israel sobre esse território. Também os nazis argumentaram com a defesa, no caso dos alemães "sudetas", para invadirem a Checoslováquia; também uma Sociedade das Nações aquiesceu. Pouco depois, morreu.

CONTRA O EXPANSIONISMO SIONISTA!
DIREITO DE REGRESSO DE TODOS OS REFUGIADOS ÀS SUAS TERRAS!
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Terça-feira, 1 de Agosto de 2006

Como enganar uma certa esquerda

Com táctica aprendida com o procurador da república, veio o ministro das finanças, tornar pública a lista dos "maiores devedores ao estado". Os 288 nomes denunciados, que entretanto já passaram a apenas 285, e correspondentes a dívidas de 130 milhões de euros, olhando aos números anteriormente anunciados de devedors e de montantes de dívida, bem como aos números de dívidas cobradas nos últimos três dias, aparecem como os enteados do sistema, entre os muitos outros filhos preferidos a quem são encobertas as "traquinices".
Mas vamos aos números. Há dois meses, as dívidas de contribuintes às finanças montavam em 16600 milhões de euros. Destes, 11000 milhões haviam sido vendidos ao Citibank, não havendo notícia de quais os impostos a que se refeririam. Dos restantes milhões, 2800 referiam-se a IVA, 1600 a IRC e 1000 a IRS. As sobras seriam referentes aos outros impostos. Pois bem, as listas referem-se, segundo a imprensa, aos devedores de IRS em montante superior a 50 mil euros e aos devedores de IRC em montante superior a 100 mil euros. Quanto a devedores de IVA, cujo montante global parece ser o maior, nada (dizemos parece, porque não se sabe ao certo, dado o oblinamento provocado pela ignorância relativa aos 11000 milhões de dívida vendida). Já aqui se nota que esta febre do governo não se aplica a todos os devedores: os faltosos do IVA, pelos vistos filhos preferidos, podem dormir descansados que não verão o seu nome em listas.
No que respeita a devedores nas condições apontadas, o ministro anunciou, na sexta-feira passada, que haviam sido detectados 8620, dos quais 3988, devendo 1700 milhões de euros, já não tinham remédio que não fosse pagar para evitarem ver o seu nome na lista: já tinham sido tomadas todas as medidas com vista a assegurar a notificação desses contribuintes e decorridos todos prazos para contestação. Nesse momento faltaria completar esse ciclo de notificação e contestação relativo aos outros 4622 contribuintes faltosos. Seria de esperar, portanto, que, passados uns dias, tais ciclos se viessem a completar e da lista viessem a constar ainda mais uns quantos nomes que os pré-anunciados 3988, ou então que umas centenas de milhões de euros entretanto entrassem nos cofres do estado. Mas não, nesses três dias que medeiam entre o anúncio e a publicação, entraram apenas 17 (ou 20, consoante a fonte) milhões de euros, ou seja 1% da dívida dos tais 3988 contribuintes, mas a lista reduziu-se para apenas 288 nomes. O que é que se terá passado? Que foi feito dos 1550 milhões que não foram pagos e que não fazem parte das dívidas dos "listados" (1700-130-20=1550)? Várias hipóteses podem ser colocadas. Afinal o estado de confirmação das dívidas não estava tão avançado quanto o ministro anunciou, uma hipótese. Neste caso a seriedade do ministro é, para quem ainda tivesse dúvidas, posta fortemente em causa. Houve uma corrida dos contribuintes faltosos às repartições de finanças a darem garantias reais de pagamento (o suficiente para serem retirados da lista), segunda hipótese. Se for o caso, não se percebe que não tenha aparecido imediatamente tal justificação, dado o significado de êxito que tal facto teria. Houve uma corrida de "amigos" aos influentes com poder suficiente para subtrair à lista uns quantos nomes, terceira hipótese. Aqui nem dizemos nada. Mas o que se terá passado realmente há-de ter sido uma mistura das três hipóteses. Um pouco de mau funcionamento, um pouco de prosápia do ministro, um pouco de nepotismo, um pouco de tudo. Seja como for, só o facto de contribuintes nas mesmas condições perante o fisco serem tratados diferencialmente levanta de imediato um problema: quem tem esse poder discricionário. E ter esse poder significa ultrapassar a legitimidade no sentido mais amplo em que esta se possa considerar, significa poder pressionar com armas proibidas com fins inconfessáveis, nomeadamente pessoias ou de grupo. Já nem falamos da possibilidade de indemnização prevista em caso de arrolamento indevido de nome, que ainda não aconteceu mas que acontecerá em breve, pois não sabemos a atitude que os tribunais tomarão, e que caso seja pela indemnização, premitirá "subsidiar" quem se quiser, bastando para isso fazer constar da lista esse "quem" que não seja possível provar a dívida. E, devido à forma como está a ser conduzido o processo pelo governo, o que foi louvado como aspecto positivo da actividade do governo por uma certa esquerda parlamentar (BE e PCP), está visto que não passa de mais uma peça para aumentar o poder discricionário deste.
publicado por portopctp às 15:34
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