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Sábado, 28 de Março de 2009

Solidariedade e luta!

Nem as peregrinações dos mais altos dignitários do regime, nem os lamentos, as “esperanças”, as “negociações”, os clamores ou as informações, fossem de quem fossem, resolveram o mínimo dos mínimos da situação dos trabalhadores da Qimonda: hoje, foi anunciado, pára a produção por quinze dias mas não se sabe o que acontecerá depois.

 O argumento inicial para esta paragem foi que não havia matérias-primas, dado que o único fornecedor, a Qimonda AG, encerrara as portas deixando de produzir, não sendo fácil substituí-lo por um outro. Para gente normal, uma justificação deste tipo, significaria que se estaria a negociar, com todo o afinco, com os outros fabricantes de semi-condutores, novos contratos de fornecimento desses materiais. Por assim dizer, os quinze dias de paragem seriam uma espécie de ganhar tempo sem percas para os trabalhadores (dado que, também pelas primeiras palavras, não perderiam salário) para encontrar e chegar a acordo com esse ou esses novos fornecedores e mais nada.
Mas a justificação foi usada por essa gente como uma mistificação, só como fase intermédia de uma outra “comunicação” mais grave, na verdade, só para produzir um efeito de desprevenção nos trabalhadores em relação ao que estava para vir. Num esfregar de olhos o que foi apresentado como paragem na produção por quinze dias sem perda de remuneração passou, após a nova comunicação agora do pedido de insolvência, a paragem na produção sem prazo marcado e em que a remuneração vai depender de uma decisão de um administrador de insolvência ainda por nomear.
Como se o que já foi descrito não bastasse, um outro elemento foi, entretanto, acrescentado: para a empresa se salvar uns vão ficar, outros terão que sair mas sem nada adiantar sobre quem é que fica e quem é que sai. O que é pretendido com este elemento? A história é velha: que prevaleça a competição em vez da união entre os trabalhadores, que cada trabalhador pense que, existindo uma possibilidade de alguém ficar, esse alguém seja ele, e, nessa expectativa, dispor-se a “portar-se bem” para ser o escolhido.
Ora isto acontece na empresa-paradigma do actual governo, naquela que nos foi apresentada a todos como o exemplo da “modernização do nosso tecido produtivo” e o esteio da “base tecnológica” pretendida para as exportações, estatuto que permitiu ao governo e à câmara justificar, sem grandes explicações, as centenas de milhões de euros atribuídos em terrenos, em isenções fiscais e em subsídios a fundo perdido. Na realidade o estado burguês, ao atribuir estas “facilidades”, a única coisa que fez foi entrar no leilão internacional da força de trabalho promovido pelas multinacionais, oferecendo, qual proprietário de escravos, a mão-de-obra nacional pelo menor preço. Agora, faz o papel de virgem enganada e chora-se, chega a dizer, através do ministro da economia, que vai exigir a devolução de todo o dinheiro, até ao último cêntimo! Não diz é onde e como o vai gastar. E deveria dizer que o iria usar na reconversão da empresa para outras produções com a manutenção de todos os postos de trabalho, mas essa não é a política da “nossa” burguesia.
Se na empresa-paradigma do governo a situação dos trabalhadores é esta, que dizer das situações vividas pelos trabalhadores de muitas outras aqui em Vila do Conde, como a Maconde, a Fapobol ou a Euroribor, em todo o país e em todo o mundo. Em todas a luta de classes se expressou. Em todas a burguesia não olha a estratagemas, a ameaças, a traições e a mentiras para esmagar os trabalhadores e pô-los na miséria. Por isso a solidariedade e a luta são palavras de ordem entre os trabalhadores. E todos terão um papel a cumprir na exigência do
PAGAMENTO DO VALOR DO SALÁRIO POR TODO O TEMPO EM QUE O TRABALHADOR SE ENCONTRE DESEMPREGADO!
O POVO VENCERÁ!
28 de Março de 2009
                                                               Org. Reg. do Norte do PCTP/MRPP
publicado por portopctp às 23:12
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1 comentário:
De Nuno Cardoso da Silva a 29 de Março de 2009 às 10:46
A questão da Qimonda não se resolve com reclamação de "pagamento do valor do salário por todo o tempo em que o trabalhador se encontre desempregado". Resolve-se com a ocupação da fábrica pelos trabalhadores, e respectiva gestão por estes, e a procura de alternativas de fornecedores. Com a ameaça de destruição das instalações se houver qualquer tentativa de desalojar os trabalhadores. Chega de fazer reclamações de chapéu na mão. Os trabalhadores não podem ficar dependentes do capitalismo burguês, mas devem tomar nas mãos o seu destino. Chega de choraminguices. Acção!


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