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Sexta-feira, 19 de Setembro de 2008

Imprudência

Segundo 99% dos especialistas, economistas e outros, foi a "imprudência" dos "maus" financeiros (banqueiros e outros) e a desregulamentação que levaram a crise ao sistema. Com tão bom diagnóstico está agora certo que as medidas entretanto anunciadas (encharcamento dos mercados financeiros com dólares e euros, nacionalizações de algumas falidas, autorizações de concentrações sem olhar aos anteriores regulamentos "anti-monopólio") vão mesmo resolver esta crise. Mas ninguém acredita. Nem eles próprios.

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Sábado, 2 de Fevereiro de 2008

A ilusão

Já toda a gente concluiu que o governo inaugurou, a pouco mais de um ano da data prevista das eleições, a pré-campanha eleitoral. No entanto e apesar da jurisprudência nacional ser no sentido que em tais circunstâncias todos os partidos devam ser tratados de forma igual, a verdade é que nada: aos partidos de fora do arco do poder nem uma posição política é permitido divulgar nos órgãos de comunicação social.

Mas vamos aos factos: 76,5€ de aumento no limite máximo para o pomposamente designado de "complemento solidário da reforma" junto com a criação de um subsídio social de maternidade para as mães que não têm carreira contributiva e um aumento de 20 por cento no abono de família para as famílias monoparentais foram o tiro de partida. Claro que tudo isto estraga o ramalhete justificativo das alterações à forma de actualização das reformas e dos abonos de família: é que na altura foi este mesmo governo que justificou o fabrico de uma fórmula que relaciona a actualização das reformas com o crescimento da economia, pela necessidade de impedir os governos de utilizarem esse meio com fins eleitorais. Não utilizam esse, mas utilizam outro bem mais vistoso, mais barato e de mais forte potencial propagandístico. É que serve também para dizer que deixarão de existir reformados em "risco de pobreza", pois os que não tiverem direito ao dito complemento, é porque não podem ser considerados pobres pois têm família que os pode sustentar. E, por magia, a grande ilusão realiza-se: com a "meia dúzia de tostões disponíveis" erradica-se de uma panada a pobreza do país (pois não é verdade que a grande massa de pobres são reformados? Deixando de haver reformados pobres, grande parte do problema fica resolvido) . Nem Cristo, com o milagre da multiplicação! Bela propaganda. Mas como não há bela sem senão andámos a vasculhar os senões. E descobrimos que o truque afinal não é do ilusionista, pois um plano deste tipo já existia há muito nos gabinetes, simplesmente ninguém tinha tido o desplante de o aplicar. Teve que vir um "esperto" para o fazer. E dizemos desplante porque é disso que se trata. Criar um mundo de ilusões no meio da verdade, que é de fome e miséria crescentes do povo devido à acção do próprio governo, é insolência de cacique. E caciques devem ser arreados. Pelo povo. Só pelo povo.

publicado por portopctp às 23:47
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Quinta-feira, 3 de Janeiro de 2008

Lógica ilógica

Uma onda de estupidez varreu os "nossos" comentadores: "não compreenderam" a "inquietação" do presidente da república manifestada na sua mensagem de ano novo com as seguintes palavras "sem pôr em causa o princípio da valorização do mérito e a necessidade de captar os melhores talentos, interrogo-me sobre se os rendimentos auferidos por altos dirigentes de empresas não serão, muitas vezes, injustificados e desproporcionados, face aos salários médios dos seus trabalhadores". E nós estamos em condições de confirmá-lo: de facto não compreenderam! Mas não essa parte, o que "não compreenderam" foi o conjunto do discurso: viram críticas ao governo, mas não viram a "cooperação estratégica". E esse é que é o aspecto principal, o que faz deste governo o governo Sócrates/Cavaco que é preciso os trabalhadores derrubarem. Tratou-se apenas de um contributo pessoal do presidente para a "melhoria" da actividade do governo ao nível da propaganda da mentira e da continuação da criação das condições políticas e repressivas para uma maior exploração do trabalho humano, nada mais. Mas os porquês apresentados pelos "nossos" comentadores para a dita incompreensão (nesses porquês, para eles, são duas coisas distintas, salários dos trabalhadores e remunerações dos altos dirigentes, que nada têm a ver umas com as outras - metafísica no seu esplendor, será que voltámos ao século XVIII?) são eles mesmos estúpidos e vão alimentar exactamente o que negaram na análise ao conjunto: pela sua lógica, afinal de contas, não é responsabilidade do governo, e portanto nem essa parte do discurso é crítica ao governo, a existência dessa desproporcionalidade observada pelo presidente. Vejamos como com a lógica dos "nossos" comentadores se pode ver, por exemplo, o caso da UNICER: os accionistas deram um "mandato" à nova administração (como sempre aumentar os lucros) e um contrato que os renumera função dos resultados (para além da remuneração base, já de si principesca); isso é "um desafio" para os novos administradores; para estes a solução é reestruturarem a empresa, mas devido à sua "elevada inteligência" e "sentido estratégico" a única solução que encontram é fechar serviços, tantos que ultrapassaram mesmo a cota legal relativa às rescisões "amigáveis" e, em simultâneo, contratar externamente alguns desses mesmos serviços embora que por menor preço (disto não temos realmente a certeza, só temos a certeza que os salários dos novos trabalhadores das empresas contratadas são bem menores que os dos trabalhadores despedidos, caso do serviço logístico de Leça do Balio); tudo isto suportado nas leis aprovadas pelos governos, ou melhor, suportado nas aplicações das leis (são duas coisas distintas as leis e as suas aplicações, sendo que estas dependem da correlação de forças na sociedade); portanto, na lógica dos "nossos" comentadores o aspecto interessante que é preciso "compensar" é o "sentido estratégico" dos administradores, os aspectos desinteressantes e desprezíveis são que essa "compensação" está na relação inversa da média dos salários dos trabalhadores e que depende das leis aprovadas pelos governos (no seu "espírito" ou na forma como são aplicadas). Esta a lógica ilógica dos "nossos" comentadores.

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Segunda-feira, 19 de Novembro de 2007

Breves notas sobre a proposta de orçamento de estado e a sua discussão (concluído)

O que primeiro ressalta da discussão da proposta de orçamento é a insistência governamental na sua própria análise previsional das circunstâncias em que vai decorrer o ano de 2008, quando toda a gente sabe que tal contexto não se irá verificar: nem o preço do petróleo (elemento considerado essencial), nem a procura externa, nem a inflação, nem o desemprego se vão aproximar dos valores que o governo insiste em tomar para as suas contas.

Os principais argumento apresentados pelo governo em favor da sua tese são o acerto nas previsões do passado e os "resultados". Ambos os argumentos são fracos do ponto de vista do raciocínio apesar de parecer que foram colhidos como bons quer pela oposição parlamentar quer pela generalidade da imprensa.

O primeiro porque, na ausência de explicação sobre o método utilizado nas previsões (que deveria ser bem mais potente que os habitualmente empregues e ser possível reconhecer-lhe essa qualidade), apenas a sorte poderá justificar. É um argumento do tipo: acertei três vezes seguidas num sorteio, acertarei de certeza na quarta vez. Pois aqui é disso que se trata, pois o problema são décimas no crescimento do PIB e da inflação, para já não falar no problema do petróleo e da procura externa. E convenhamos que nem sequer corresponde à verdade, dado que os falhanços têm sido absolutos (e muito convenientes para o governo) no que respeita, por exemplo, à inflação e ao preço do petróleo. Aliás se esse argumento fosse levado a sério pelo próprio governo, este só poderia aceitar como boas as previsões sindicais sobre a inflação e aceitá-las o que não faz. Portanto, trata-se de argumento que, como argumento, não tem qualquer valor, e corresponde à táctica de repetir continuadamente uma mentira a ver se esta se torna verdade aos olhos dos outros.

O segundo porque é construído na base da falácia e da ajuda externa de declarações de entidades interessadas na prossecução da política destruidora seguida pelo governo. A orquesta funciona bem, neste particular, e a imprensa serve de altifalante à melodia. Destaque primeiro para "o retomar do crescimento económico". Baseia-se, o governo, nas estatísticas do PIB, que apontam para crescimentos progressivos (na melhor hipótese, já que no último trimestre estagnou nos 1,8% anualizados) do PIB. Esquece-se de considerar que esses crescimentos não são reais, apenas são o resultado, nas estatísticas económicas, do aumento da eficiência fiscal (esse sim, um aumento real) e consequente passagem da economia paralela para a economia legal de uma parte das operações económicas. Para nós não restam dúvidas que está a haver, de facto, um prolongamento, da responsabilidade deste governo, da recessão iniciada no anterior governo. Isto nem a oposição parlamentar nem a imprensa foram ou são capazes de denunciar centrando-se apenas no facto de o crescimento formal anunciado ser menor que a média da UE, continuando a existir, não só realmente mas também formalmente, em vez de aproximação, divergência. A este propósito convem observar que é possível manter crescimentos formais do PIB idênticos aos do presente durante mais de dez anos sem haver qualquer crescimento real do mesmo, bastando para isso incrementar medidas de pressão da fiscalização sobre a actividade económica de forma a impedir progressivamente o execução de operações económicas ilegais. Ou seja, o ouro da argumentação governamental, não passa, afinal, de pechisbeque da pior espécie mas que consegue enganar a cega oposição parlamentar e a colaborante imprensa.

Um outro dado estatístico é apresentado amiudadamente pelo governo Sócrates/Cavaco como prova da "melhoria de saúde" da economia portuguesa: o aumento percentual das exportações, querendo significar com isso que tem havido uma melhoria da sua competitividade externa. Esquece-se, e nem a oposição parlamentar nem a imprensa o lembra, que também as importações têm aumentado e que esse aumento tem sido superior em valores absolutos ao aumento das exportações, mesmo subtraindo o saldo dos combustíveis (que costuma ser em época de preços altos justificação para tudo, ou seja, é uma espécie de desculpa de reserva para quando as coisas na propaganda não saem bem noutros domínios). Neste domínio, o do comércio externo, o governo tem recebido uma "ajudinha" do INE, cujos números não são fiáveis, pelo menos os do último "boletim mensal de estatística", (boletim de Setembro muito "encomendado" nas intervenções do ministro das finanças) quanto às taxas de variação do comércio internacional pois contêm muitas incoerências. Não é, portanto, por causa da alta dos combustíveis que as importações aumentam mais em valor absoluto que as exportações, é porque a tal competitividade não aumentou mas diminuiu: como se sabe, a competitividade global de uma economia não pode ser medida pelo andamento das exportações mas pelo andamento do saldo entre as importações e as exportações e esse tem-se agravado progressivamente. Na verdade o que esté a acontecer é uma pioria da situação de segurança produtiva nacional da responsabilidade directa deste governo: tem-se vindo a proceder à substituição da produção nacional por importações a um ritmo muito maior que anteriormente. Quando as exportações não aumentavam tanto, também as importações não cresciam da forma quase exponencial a que hoje crescem. É certo que este problema tem vindo a ser comentado por alguns economistas, mas com panos quentes, provavelmente com receio de estragarem o clima virtual de "oásis" que o governo tem vindo a querer instalar (ver declarações do ministro da finanças negando que a crise actual possa vir a afectar a economia nacional, afectando, no entanto as economias dos outros países - diz que a nossa economia está resguardada desses problemas!!, como que dizendo: vivemos num oásis de crescimento no meio do deserto da crise). 

Um dos últimos números com que o governo, nomeadamente o primeiro ministro, nos tem brindado é o de  "um saldo positivo de 106.000 novos empregos entre os criados e os que desapareceram" desde que tomou posse, aproximando-se assim, dos 150.000 prometidos em campanha eleitoral. Mas serão realmente "novos" ou apenas o reflexo de uma mais intensa fiscalização e consequente legalização de actividades anteriormente da economia paralela? O que é certo é que o desemprego também aumentou e muito mais fortemente, ou seja o crescimento da economia nem sequer esteve na medida do crescimento da população (o mínimo necessário para manter a taxa de desemprego estável). Mas se o crescimento da economia foi o que foi, a proporção dos salários no rendimento nacional desceu substancialmente, o que significa que os empregos criados ou passados à legalidade são em média muito pior remunerados do que aqueles que "desapareceram". Parece ser essa a forma como o governo pensa vir a combater o "risco de pobreza" (o ministro do trabalho e dos assuntos sociais já deu um lá-mi-ré nesse sentido ao dizer que o "risco de pobreza" diminuiu de 20 para 19% neste último ano e que isso é o resultado da actividade governativa), ou seja, pela baixa acentuada do salário mediano. Pela definição está em "risco de pobreza" quem tenha um rendimento inferior a 60% do rendimento mediano da população em causa. Ora baixando o rendimento mediano, menos pessoas estarão em "risco de pobreza" embora 50% delas fiquem mais pobres: se por hipótese numa população de três pessoas, uma delas tiver o rendimento de 100 outra o rendimento de 20 e uma outra de 11, existe 1 pessoa em "risco de pobreza" (60% de 20 são 12, logo 11 é inferior a 60% do salário do meio - o salário mediano), mas se esses rendimentos se alterarem para 105, 16 e 10, mantendo-se o rendimento médio, já não existe ninguém em "risco de pobreza" (10 é maior que 60% de 16) embora, de facto, as duas pessoas pior remuneradas tenham ficado bastante mais pobres. Se, por exemplo, a regionalização fôr em frente, (esse é o plano traiçoeiro do governo, tendo já destinado a esse fim neste orçamento vários milhões de euros) e essa taxa passar a ser calculada na base das regiões, por magia, quase que deixa de existir "risco de pobreza" em cada uma das regiões apesar de não haver qualquer alteração nos rendimentos das pessoas. Falarão então do "grande êxito" no combate à pobreza embora só tenham tido êxito na manipulação dos números.

Restará a "contenção do défice" mas aí todos sabem como foi conseguido: com o aumento do IVA e outros impostos indirectos, a diminuição das reformas, o congelamento dos salários (mas não os de alguns), o fecho de serviços essenciais, a ausência de investimento produtivo e tudo o resto. Ou seja, da pior maneira, fazendo recair os custos nos mais fracos económicamente.

Se os argumentos do governo foram estes, e que fracos foram, é porque o orçamento, em si, não tem nada que possa ser defendido. Por exemplo, se o aumento da fiscalização diminuiu a iniquidade fiscal, a proposta de orçamento vem repô-la com os benefícios e incentivos fiscais que favorecem apenas quem tem elevados rendimentos; se as contribuições para a segurança social contam com o seu saldo  positivo para a diminuição do défice (quando deviam estar nas mãos dos trabalhadores uma vez que são uma parte do seu salário), já o défice das estradas de Portugal não conta para o mesmo, nem sequer os impostos cobrados pelo estado que  estão alocados ad eternum à nova empresa entretanto criada (na preparação da privatização, temos que dizê-lo, pois a afirmação do governo que não será feita vale, em termos de futuro, o mesmo que o governo: nada). Em resumo: a proposta de orçamento não passa de uma consumação teórica do plano do estado burguês para a exploração e a opressão do povo para o próximo ano. Na prática, se o permitirmos, se não lutarmos, ainda vai ser pior, porque os pressupostos circunstanciais (preço do petróleo, taxas de juro, taxas de câmbio) vão, eles próprios, agravar-se.  (É esse, aliás, o projecto de fuga às responsabilidades do governo: dizer que a culpa da situação cada vez pior dos trabalhadores portugueses é do preço do petróleo ou da "conjuntura internacional desfavorável", mas caçá-lo-emos).

 

ABAIXO O GOVERNO SÓCRATES/CAVACO! 

 

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Quinta-feira, 25 de Outubro de 2007

Silêncios

Temos estado à espera que a "comunidade internacional" reclame sanções e emane ameaças contra a Dinamarca, a Hungria, a Turquia, a Espanha, o estado sionista ou S. Salvador, mas, até agora, nada. Esse espectro manteve-se silencioso. Os seus costumeiros arautos não vieram, em seu nome, pois é sempre em seu nome que sanções, condenações etc. são exigidas, condenar o que todos vimos ou ouvimos nos noticiários: repressão, prisões e assassinatos políticos.

Em S. Salvador nas últimas eleições várias dezenas de candidatos foram assassinados, houve alguém que exigisse fosse o que fosse?

Na Turquia, enquanto manifestações de incitamento à guerra são permitidas, já manifestações de apoio a um cessar-fogo são reprimidas e os participantes perseguidos e presos. O que ouvimos? Contenção, cautela, enfim, conselhos de amigo.  

Na Dinamarca manifestações são reprimidas e centenas de manifestantes detidos. E da "comunidade internacional", nem sinal.

Na Hungria cidadãos descontentes manifestam-se e imediatamente são reprimidos com brutalidade. Terá havido algum clamor? Nós não o ouvimos.

Em Espanha a crítica à monarquia tem como resultado a prisão, a censura e o encerramento de publicações. Há manifestações no País Vasco ferozmente reprimidas, jornais fechados, centenas de presos políticos. Gerou alguma indignação da dita comunidade ou sequer um esboço de defesa da "liberdade de expressão" dos habituais auto-proclamados defensores da mesma? Pelo contrário.

Na Palestina,  os crimes cometidos pelos sionistas são tão sangrentos e inumanos, que o silêncio cúmplice não vai ser suficiente para calar a condenação de toda a humanidade, mas para já, o silêncio.

Silêncios que são sinais. Sinais da fraca moral e do estado de completa degenerescência a que chegou o velho imperialismo, incapaz, mas ainda (cada vez mais) voraz.

 

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Sábado, 29 de Julho de 2006

Nada ao acaso

No início da actual guerra da Palestina houve quem desse como causa da mesma o que chamavam de "rapto de soldados israelitas". Hoje, essas mesmas pessoas, encontram-lhe objectivos estratégicos muito para além da remoção dessa causa. Admitem, dessa forma implícita, que os raptos não foram uma causa mas sim um pretexto. São capazes de reconhecer o seu erro de análise? Não. Porquê? Há, concerteza, várias repostas: uns, a maioria, porque são "Maria que vai com as outras" e não pensam; outros porque são pagos para obedecer a uma estratégia propagandística e são mercenários; outros porque são cobardes; outros porque são ingénuos. Como estas, poderemos imaginar um sem número de outras razões para a ausência de autocrítica. Todavia, qualquer que seja a razão, o resultado é sempre o mesmo: incapacidade conceptual desses senhores de responsabilizar Israel sejam quais forem os actos que esse estado venha a praticar. Trata-se da vitória incontestável sionista no campo da propaganda.
Na mesma linha, mas num outro sentido, a descrição do Hezbollah pela generalidade dos órgãos da imprensa, levará a crer que os seus membros serão apátridas e não cidadãos libaneses. Isso torna possível, ao nível da compreensão, ataques ao Hezbollah que não sejam ataques ao Líbano. Justifica até ataques a quartéis libaneses que também são legítimos, apesar de Israel não estar a atacar o Líbano, pela simples razão de existir a hipótese remota de o Hezbollah poder utilizar os radares ou outros equipamentos existentes nesses quartéis. Também torna legítima a destruição completa de aldeias e bairros de cidades libanesas, centrais eléctricas, barragens, pontes, estradas, portos, aeroportos, depósitos de combustíveis, camiões com refugiados libaneses porque se movimentam em direcção à Síria, tudo sem, na compreensão desses senhores, se estar a atacar o Líbano.
Outra das manobras da propaganda sionista que tem obtido incontestável êxito junto da nossa imprensa é a afirmação de que os "terroristas" usam a população civil como "escudos humanos". Teve êxito em 1948 em todo o mundo, continua a ter êxito agora. Para assassinar civis desarmados e roubar-lhes as terras e não ser responsabilizado, basta o seguinte: faz-se uns avisos por via sonora ou escrita de que se vai atacar pois se suspeita da presença de "terroristas" no local, depois indica-se um caminho de fuga para os civis e finalmente, quando uma parte dos civis seguem esse caminho, ataca-se a matar a coluna em fuga (umas vezes "por engano" e abre-se um inquérito, outras vezes na "suposição" de que se tratava de "tentativas de infiltração de terroristas"), quanto aos que ficaram no local, podem ser mortos à vontade, mesmo que desarmados, pois que concerteza são "terroristas". Foi assim em 1948, uns meses antes da guerra, quando quiseram conquistar território aos palestinianos. É assim hoje no Líbano. Mestres na provocação, conseguem safar-se com a excelente propaganda que produzem, graças à cobertura dada pela imprensa a essa propaganda e à inércia dos governos que, detendo o poder de fazer parar o morticínio e sendo coniventes ou não por motivos de interesse próprio, fazem dessa propaganda justificação para não actuar.
Um dos pontos chave da construção propagandista sionista é a classificação de terrorista dada a todos os que "mexem" contra os seus intentos, independentemente das tácticas empregues por esses opositores serem ou não terroristas. Se atiram pedras, são terroristas, pois aterrorizam os pobres dos soldados dentro dos seus blindados ou dos seus postos arqui-defendidos; se disparam um rocket contra posição militar, são terroristas, porque não pertencem a um exército regular e, portanto, estão a aterrorizar os coitados dos soldados que só combatem contra exércitos regulares; se rezam a Alá para que este lhes devolva as terras, são terroristas, pois que com essas rezas estão a fazer com que os pobres dos sionistas se sintam aterrorizados com a ameaça de que as rezas se concretizem; se se é pai, irmão, mãe, irmã, tio, primo de alguém considerado terrorista, também se é terrorista, pois só o facto de se saber que é vivo familiar de um terrorista, aterroriza as pobres futuras possíveis vítimas. Não é para estranhar, portanto, que as 750 vítimas mortais do lado libanês e palestiniano, possam ser menosprezadas, pois se não forem terroristas pela via da táctica de combate que empregam, sê-lo-ão pela certa, por serem familiares ou porque, pura e simplesmente, a sua simples existência aterrorizava as pobres, coitadas, boazinhas, inocentes, civis, vítimas israelitas, habitantes dos territórios palestinianos, sírios e libaneses ocupados ou habitantes de Israel. Claro que esta eficiência do Tzahal se deve em grande parte à elevada precisão do seu armamento, que só atinge alvos militares (ou terroristas). A outra parte dessa eficiência deve-se ao extremo cuidado em determinar os alvos (aqui o elemento humano é fundamental). Daí ser bem provável que o inquérito sobre os ataques aos observadores da ONU, venha a concluir que estes afinal eram também terroristas, a exemplo, do que já aconteceu em inquéritos a ataques israelitas a outras instalações da ONU onde a conclusão foi que afinal eram paióis (ou santuários) terroristas. Poucos irão engolir esta mas, nos espíritos mais fracos, fica semeada a dúvida. Claro que, do outro lado, a baixa tecnologia das armas empregues pela qual são inteiramente responsáveis, apesar do bloqueio à venda de armas, e a falta de treino (ou o ódio) do pessoal que as manipula, faz que as vítimas israelitas sejam todas civis ou, quando muito, jovens pacifistas obrigados a integrar-se no Tzahal para heroicamente defenderem o "único estado democrático da região" ameaçado na sua existência, portanto, civis em espírito. Por isso é que, das 51 vítimas israelitas da actual guerra, 34 eram "civis" desta segunda espécie e as restantes 17 eram "civis" da primeira espécie apesar de guardarem armas de guerra em casa e de treinarem tiro e tácticas militares habitualmente. Como "civis" e vítimas "inocentes" de uma "guerra que não provocaram", apesar de participantes da ocupação que afinal não é ocupação porque foi Deus que lhes deu aquelas terras, devem ser merecedoras de toda a consternação de todo o mundo.
Já vai longo o artigo, senão exporíamos mais dois ou três outros aspectos da propaganda sionista e da forma como a generalidade da imprensa e dos comentadores a reproduzem. Como vemos é brilhante e não deixa nada ao acaso. Faz-nos lembrar o actual presidente da câmara do Porto ou o primeiro ministro Sócrates, embora nenhum deles tenha atingido já tal grau de refinamento. Quanto a Rui Rio talvez seja por sentir a necessidade de aprender alguma coisa com os sionistas que tem apoiado a comunidade judaica portuense. É erro, porque ser judeu não significa ser sionista e, por certo, a comunidade judaica portuense condenará de voz alta todos os crimes do estado hebreu.
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Segunda-feira, 31 de Outubro de 2005

O vácuo

Mais um candidato a presidente veio ao Porto. Este diz que é de esquerda. Veio apresentar a comissão de honra. Como, segundo o próprio, é de esquerda, tentou atacar o candidato da direita. A única forma que encontrou, porque quanto à questão essencial não existem diferenças, foi a de fazer ressaltar a contradição que consiste no facto de esse outro candidato receber a reforma referente ao tempo em que foi 1º ministro (portanto receber proventos referentes à actividade profissional de político) e negar ser político profissional. Ora, se olharmos bem, tanto um como outro desses dois candidatos o que pretendem fazer é exactamente o mesmo: ambos tentam colher entre os desiludidos da política, e a única diferença entre eles é uma diferença de marketing. Na verdade ambos defendem a política que o actual governo tem vindo a aplicar e que eles, quando estiveram no poder também prosseguiram. É o facto de não haver diferenças de política, qualquer que tenha sido o governo que tenha governado nos últimos trinta anos, é que leva uma parte dos cidadãos a acharem que não vale a pena, que a política é sempre a mesma coisa, e que essa coisa é a favor dos políticos e contra a maioria do Povo. Face a isto a táctica de marketing de um é tentar trazer para a sua política esse sector do povo dizendo que não é político profissional; a táctica de marketing do outro é a do discurso moral com esse mesmo objectivo. Ao tentar centrar aqui o discurso passam ambos, como gato sobre brasas, sobre assuntos importantíssimos, esses sim mobilizadores, como por exemplo o que fazer a um governo eleito com base num conjunto de promessas e que depois, com base no argumento de que não conhecia a situação real, faz exactamente o contrário do que prometeu. Isso e o futuro do País é que interessa aos trabalhadores. Neste momento, neste capítulo e no que respeita a estes dois candidatos, apenas temos o vácuo.
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Domingo, 2 de Outubro de 2005

Propaganda

Há sem dúvida uma matéria em que os outros partidos nos têm levado a melhor. Conseguiram convencer uma parte substancial dos eleitores que o comunismo é igual a pobreza e que capitalismo é igual a riqueza. Com isso mataram a esperança, feita de razão, em muitos corações. Com isso amarraram, em muitos, a vontade de lutar por um mundo melhor. Hoje, uns fazem pela vida e, ao fazê-lo, transformaram-se em miseráveis. Outros acomodam-se, e o que os espera é a miséria. Mas isto está a ser entendido: já ninguém acredita no que dizem. Fingem acreditar, mas o seu coração diz-lhes que não acreditem. Temem porque as ameaças são permanentes e assustadoras. Mas no seu coração começa a crescer a coragem. É preciso que essa coragem se manifeste. Trabalhadores do Porto!: Pouco do que os outros partidos prometem será cumprido. Aquilo que for cumprido não será em vosso benefício. Será em benefício da mesma corja do costume: os 10% que têm beneficiado com todas as políticas anteriores. Esses continuarão a enriquecer. Vocês a empobrecer. A única coisa para que serve o vosso voto se for dado a esses malandros é para aumentar a vossa pobreza. Esta é a verdade. Lutem por um mundo melhor, porque na luta final O POVO VENCERÁ!
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